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  • 08/05/2020

Promotora fala do ‘Caso Ísis’ e elogia atuação da Polícia Civil

A revelação feita pela da mãe, Jennifer Nathália Pedro, há cerca de uma semana, do local onde havia enterrado o corpo de Ísis Helena, acabou se tornando o divisor de água de um ruidoso processo que teve início há praticamente dois meses quando a moça denunciou o sumiço da criança, criando um estado de comoção que correu o Brasil afora por causa da cobertura full time que emissoras de televisão dedicaram ao assunto, em especial a Rede Record. A partir de agora, Jennifer irá enfrentar os rigores da Lei.

Uma itapirense acompanhou muito de perto e com muito interesse o desenrolar dos fatos. Trata-se da promotora de Justiça Patrícia Taliatelli Barsottini, que completou, em março último, um ano à frente da 3ª Promotoria de sua cidade natal, exercendo atribuições criminais, cíveis, junto ao Tribunal do Júri, Patrimônio Público e Corregedoria da Polícia.

“A minha atuação no caso de Isis Helena iniciou-se quando houve a alteração da capitulação jurídica inicial de subtração de incapaz para homicídio, no momento em que a Delegacia de Investigações Gerais de Mogi Guaçu entendeu que havia ocorrido um crime doloso contra a vida e representou pela decretação da prisão temporária de Jennifer. Todavia, diante da gravidade do caso, eu já vinha acompanhado de perto as investigações”, admitiu Dra. Patrícia em conversa com A GAZETA.

A promotora afirma que o processo de investigação foi concluído – restando segundo ela somente o envio do relatório investigativo da Polícia Civil e o laudo necroscópico para verificação de possível aditamento da denúncia quanto ao local em que o corpo da criança foi achado – e elogiou o trabalho da Polícia Civil. “A investigação está encerrada e os elementos de informação colhidos são seguros acerca da prática pela acusada dos crimes narrados na denúncia”, observou.

A GAZETA quis saber dela até que ponto o clamor popular interferiu nas investigações e a representante do Ministério Público avalia que as partes evolvidas no processo investigatório agiram com lisura, sem se deixar levar por pressões externas. “O clamor popular, por si só, não atrapalhou as investigações. Era esperado que a sociedade de Itapira buscasse saber o que aconteceu. Casos como o da pequena Isis Helena são os que mais tocam a população, já que envolve criança. A meu ver, isso não prejudicou as diligências policiais, também diante da expertise da Polícia Civil, tanto aqui de Itapira, quanto da Especializada de Mogi Guaçu. Foram 60 dias trabalhando incansavelmente para deslinde do caso. O Ministério Público acompanhou de perto as investigações e sabe que as autoridades policiais se empenharam muito”, avaliou.

Dra. Patrícia considera o caso o mais emblemático de sua carreira até agora, ela que ingressou no Ministério Público em 2002, como Oficial de Promotoria, função exercida no Ministério Público local até 2011, quando foi aprovada no cargo de Analista de Promotoria e no ano acabaria sendo aprovada no Concurso de Ingresso à Carreira do Ministério Público. “O caso da criança Isis Helena, para mim, foi até agora o mais marcante, em razão de envolver um bebê que foi morto pela própria genitora, sendo o cadáver ocultado por ela. Atuei em outro caso muito triste na cidade de Conchal, quando um homem matou uma menina de 7 anos e também ocultou o corpo. Na ocasião, a população tentou invadir a Delegacia de Polícia para tentar pegar o investigado, além de causar a destruição de prédios e veículos na cidade”, relembrou.

Instada a comentar as reações de muitas pessoas em grupos de whats app que defendiam medidas de justiçamento (fazer justiça com as próprias mãos) contra Jennifer, Dra. Patrícia disse que não tomou conhecimento deste fato, mas deixou um recado claro para quem pensa desta maneira: “Eu não tenho conhecimento de tais manifestações, mas por óbvio são fruto da revolta causada pelo ocorrido com a criança. O Ministério Público, como defensor da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis não compactua com tais manifestações. A justiça será feita, mas na forma da lei, por meio do processo criminal que está em andamento junto ao Poder Judiciário”, encerrou.

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