Gazeta Itapirense

Crônica: Sansão e Dalila, por Rodrigo Alves de Carvalho

Coincidentemente, duas vizinhas amicíssimas ficaram grávidas ao mesmo tempo. A amizade entre as duas só aumentou quando souberam da novidade, e a partir daí, sempre se visitavam para falar sobre maternidade, parto, crianças etc.

Ao saber que teria uma menininha, uma das vizinhas grávida decidiu colocar o nome na filhinha de Dalila.

Ao saber que teria um menininho, a outra vizinha sabendo que a filha da vizinha chamaria Dalila, conversou com o marido e juntos decidiram colocar o nome no filhinho de Sansão.

E assim nasceu Dalila numa tarde chuvosa de novembro.

E assim nasceu Sansão no mesmo dia, só que à noite e ainda chuvosa.

As duas crianças passaram a ser o xodó das duas famílias que sempre se reuniam para churrascos e jantares, sem contar que as mamães não se largavam com o casalzinho a tiracolo.

Com o passar dos dias, Sansão e Dalila engatinharam, deram os primeiros passos e praticamente falaram as primeiras palavras ao mesmo tempo.

E o tempo passava mais ainda e as crianças cresciam rapidamente, logo estavam no jardim de infância, pré-escola e escola. Sempre juntos. Todos diziam que eram namoradinhos, mas na verdade, o sentimento entre eles era de irmãos, até porque eram muito novos para isso.

Só perceberam que se gostavam realmente quando a puberdade chegou e foram descobrindo o amor que desabrochava entre eles.

Entretanto, logo depois que completaram quinze anos, o pai de Sansão arrumou um emprego na capital e tiveram que ir embora.

Os dois amigos que descobriam o amor um pelo outro tiveram que se separar, e entre choro e saudades, o tempo passou ainda mais.

Dez anos depois, o garboso Sansão, com quase dois metros de altura, todo musculoso e com uma cabeleira até os ombros voltou para a cidade e imediatamente procurou por Dalila. Ainda havia o fogo do amor em seu coração, mesmo com tanto tempo de distância.

Se encontraram e rapidamente aquele sentimento de outrora aflorou.

Sansão estava decidido a levar Dalila consigo para a capital, onde tinha uma empresa de segurança muito bem conceituada.

— Dalila, vem comigo para a capital. Pelo menos você não precisa se preocupar com segurança, pois serei seu guarda-costas particular – falou Sansão.

— Que bom! E você não precisa se preocupar com o cabelo, pois eu mesma irei cortar. Já que sou cabelereira profissional! – Falou Dalila.

Depois disso, Sansão foi embora sozinho para a capital… e nunca mais voltou.

RODRIGO ALVES DE CARVALHO nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta, possui diversos prêmios em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas promovidas por editoras e órgãos literários.  Atualmente colabora com suas crônicas em conceituados jornais brasileiros e Blogs dedicados à literatura.

Em 2018, lançou seu primeiro livro intitulado “Contos Colhidos”, pela editora Clube de Autores. Trata-se de uma coletânea com contos e crônicas ficcionais, repleto de realismo fantástico e humor. Também pela editora Clube de Autores, em 2024, publicou o segundo livro: “Jacutinga em versos e lembranças” – coletânea de poemas que remetem à infância e juventude em Jacutinga, sua cidade natal, localizada no sul de Minas Gerais.

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