Gazeta Itapirense

Coluna Traço Feminino, por Hellen Santos

Um espaço acolhedor que trará de forma acessível assuntos necessários como direitos das mulheres, a luta das mulheres negras, a violência contra a mulher e o que fazer nessas situações, dentre outros temas relacionados à mulher.

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           A mulher vive socializada na culpa

Se existe um sentimento que ninguém quer para si é a culpa. A todo esforço, quando se é apontado como culpado por algum ato, a primeira reação é a defesa, antes de pensar se essa culpa atribuída faz sentido ou não.

Desde cedo fomos ensinadas a nos sentirmos culpadas por tudo o que não deu certo, seja tendo a responsabilidade para que a casa esteja bem arrumada, a ser sempre doce e agradável, a ser boa mãe, gerando uma carga emocional muito grande e fazendo com que muitas mulheres não se sintam boas o suficiente.

Segundo um estudo britânico, a maioria das mulheres se sentem culpadas por algo, pelo menos uma vez ao dia. O sentimento de culpa não é uma exclusividade feminina, mas os estudos apontam razões pelas quais as mulheres sentem mais o sentimento de culpa do que os homens.

Um dos motivos para que isso aconteça é a nossa cultura que exige muito das mulheres. Somos seres que fazemos muitas coisas ao mesmo tempo, não por que queiramos, mas porque isso é condição cultural que nos atravessa. Nesse sentido, ser mulher é fazer tudo o que se faz e bem, evitando erros e comparações que nada tenham a ver com o que possamos estar sentindo ou fazendo.

Diante disso, a ideia da “mulher super poderosa” que pode e consegue fazer tudo, levará ao sentimento de culpa. Quem determinou que as mulheres têm que fazer tudo com a máxima eficácia? Quem nos sugeriu a perfeição? – Isso é inatingível!

Quando pensamos em um processo em que mulheres e homens possam ter mais igualdade, consequentemente menor será a sensação de culpa da mulher, que tem fortes cobranças ao seu fazer reduzido a questões biológicas, que nessa socialização da culpa em que a mulher vive, acontece do mundo externo e pela própria mulher.

Pensar que a  culpa não é nossa é o primeiro passo para se livrar desse sentimento, pois apesar de parecer impossível, se cobrar menos e se dar o direito de errar e de caminhar no seu ritmo é um direito que todas nós temos. Uma outra possibilidade seria ao nos espelharmos em outras mulheres, não nos deixarmos levar pela ideia de que se ela conseguiu algo de determinada forma, isso se tornará o único caminho.

Levar em consideração que cada uma de nós tem a sua realidade, os seus impasses, e que o ponto de partida ou história de vida que temos são muito singulares, os “ajustes” são mais que necessários, pois tira das nossas costas o peso da culpa.

A culpa piora quando pensamos nas mulheres negras que enfrentam alguns fatores que vão potencializar esse sentimento, que são a discriminação racial e de gênero, sendo desafios adicionais em suas carreiras, a ausência de representatividade e os ataques racistas à estética negra que afetam a saúde emocional das mulheres negras em maior potência, e a famosa síndrome da impostora, que é se sentir inadequada mesmo quando se alcança o sucesso.

Que todas nós, possamos a cada dia nos esvaziarmos da culpa que carregamos diante da rotina que temos. As pausas são importantes, o descanso não é um privilégio do qual não podemos aceitar, pois entender que também podemos e iremos errar, não fará de nós menos do que somos.

 

Nos erros encontramos o nosso caminho. É necessário errar para acertar na nossa direção”.

 

Por: Hellen Santos

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