Gazeta Itapirense

Coluna ‘Traço Feminino’, por Hellen Santos

Um espaço acolhedor que trará de forma acessível assuntos necessários como direitos das mulheres, a luta das mulheres negras, a violência contra a mulher e o que fazer nessas situações, dentre outros temas relacionados à mulher.

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           A ciência sempre foi feminina

 

Olá, queridas (os) leitoras (es)!  No último mês, mas precisamente no dia 11 de fevereiro, comemorou-se o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Uma data extremamente importante e que foi instituída em 2015 pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Atualmente, existe uma força tarefa que se mobiliza para que as mulheres tenham o direito à igualdade de gênero, inclusive na ciência. As meninas/mulheres têm sido estimuladas a carreira científica, tecnológica, na engenharia e matemática. Ter a perspectiva feminina nessas áreas ampliam os saberes, as oportunidades e reconhecem as conquistas das mulheres na ciência.

E é sobre esse reconhecimento que eu gostaria de falar com vocês hoje. Um fato inquestionável é que as mulheres sempre atuaram com os seus conhecimentos na história, em especial, quero me referir ao período da idade média, mais conhecido como período medieval, do século V ao XV, e em específico ao XV, porque foi quando começou a caça às bruxas, ou melhor, a morte de mulheres inocentes que por motivos banais e predeterminados por homens e pela Igreja Católica da época, julgavam essas mulheres como bruxas.

Se puxarmos a memória, lembraremos de alguma de nossas avós, bisavós ou entes queridos que sempre tiveram algum conhecimento sobre ervas (chá), com as plantas, políticos ou religiosos. Se elas vivessem no referido período citado acima, seriam condenadas à fogueira, por serem denominadas bruxas. Claramente, essa era a forma de se matar mulheres inocentes, e que ameaçavam ao sexo masculino e a Igreja Católica da época, porque conhecimento sempre foi PODER.

Vejamos que em nome de Deus, muitas vezes na história do mundo foram realizadas atrocidades contra seres humanos, mas que a própria história declarava seja naquele mesmo momento ou após que, tudo não passava de controle sobre as pessoas e centralização do poder nas mãos de poucos (homens).

Nesse período ter um médico a disposição era muito difícil e escasso, e essas mulheres eram associadas a feiticeiras por realizarem os tratamentos médicos na população pobre, o que era chamado de cura, preferencialmente a morte era aceita se não fosse pelas mãos de um médico homem.  Um outro motivo para a morte das mulheres era se elas trabalhassem arduamente, em muitos empregos, pois não poderia ser possível ser humana e aguentar grandes jornadas de trabalho, desta forma eram consideradas bruxas.

Com o conhecimento resguardado a poucos, nesse caso, aos homens de bem e que faziam parte da elite, a continuação do pensamento agressor e excludente das mulheres era de forte interesse, apoiado pela igreja Católica da época que a serviço de Deus as condenavam sem misericórdia.

E o que temos em comparação de 6 séculos atrás aos dias atuais? – O pensamento agressor e excludente se modificou, não temos mais “bruxas” sendo mortas em fogueiras, pois com muitas lutas e mobilizações as mulheres avançaram e conquistaram muitos direitos. Aquilo que se fazia e era considerado “magia”, passou a ser ciência, comprovadamente as plantas são ciência, a medicina avançou, as mulheres entraram na política e a religião se modificou, ainda que com ressalvas, mas as mulheres conseguiram espaços para pôr a sua voz nesses lugares.

O reconhecimento dessas mulheres que foram julgadas como “ bruxas”, se dá a cada mulher que avança naquilo que elas foram pioneiras, que lhes foram negadas, apenas por serem mulheres com conhecimento. As formas de morte para as mulheres deste século se renovaram, em um processo brutal de escancarar a morte banal de posse do corpo (propriedade) da mulher, sejam elas da cor da pele que carregarem, porque o direito de viver e realizar aquilo que nós mulheres queremos, continua sendo um caminho perigoso e que nem todas podem passar, se não houver uma erradicação do pensamento machista e desigual com as mulheres, seja na ciência ou onde estiver uma de nós!

 

“Não foram as bruxas que queimaram. Foram mulheres. Mulheres que eram vistas como: muito bonitas, Muito cultas e inteligentes, porque tinham água no poço, uma bela plantação (sim, sério), que tinham uma marca de nascença, mulheres que eram muito habilidosas com fitoterapia, muito altas, muito quietas, muito ruivas, mulheres que tinham uma forte conexão com a natureza, mulheres que dançavam, mulheres que cantavam, ou qualquer outra coisa, realmente”

                                                             Dulce Tupy

 

 

REFERÊNCIAS

 

https://querobolsa.com.br/enem/historia-geral/idade-media

 

https://www.bbc.com/portuguese/geral-58560697

 

https://www.osaqua.com.br/2020/11/16/nao-foram-bruxas-que-queimaram-apenas-mulheres/

 

Por: Hellen Santos

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