Coluna ‘Traço Feminino’, por Hellen Santos
Um espaço acolhedor que trará de forma acessível assuntos necessários como direitos das mulheres, a luta das mulheres negras, a violência contra a mulher e o que fazer nessas situações, dentre outros temas relacionados à mulher.
Seja muito bem-vinda (o) !
As mulheres e a saúde mental
Olá, queridas (os) leitoras (es)! Hoje falarei sobre a temática da saúde mental das mulheres e o quanto isso é complexo, mas necessário!
Creio que seja importante estimular a busca por informações a respeito desse assunto para a superação dos estigmas relacionados à saúde mental das mulheres. Sabe aquela frase “ as mulheres fazem muitas coisas ao mesmo tempo”, pois é , esse fazer muitas coisas ao mesmo tempo, qualifica as mulheres como fortes e altamente habilidosas, mas também expõe a pressão de uma vida extremamente tumultuada.
Alguns dos motivos para que isso aconteça são: a vida agitada, as demandas diárias, a necessidade econômica e a sobrecarga em que as mulheres são expostas todos os dias .
No Brasil temos uma questão bastante desafiadora, pois os dados sobre a taxa de mortalidade são de 3 óbitos para cada 100 mil mulheres. Infelizmente tem acontecido suicídios femininos em nosso país.
Têm sido realizadas pesquisas e já se constatou que as mulheres na faixa etária entre os 15 aos 60 anos apresentam maior prevalência de transtornos de ansiedade e depressão.
Apesar de contarmos com o Sistema Público de Saúde ( SUS), existe a dificuldade de acesso para a assistência psiquiátrica e psicológica.
As desigualdades econômicas e sociais que existem, acarretam um efeito muito significativo na saúde mental das mulheres, principalmente para as que vivem com os salários mais baixos, enfrentando condições de vida de alta precariedade.
Em relação às mulheres negras, que compõem o grupo de mulheres que aqui falo, mas que tem particularidades bastante específicas, vemos que, estiveram sempre em lugar de negligência por parte do Estado no nosso país, que é estruturado de forma racista, patriarcal e classista. Essas mulheres sempre foram a base estrutural da família, e em muitos casos sendo vistas apenas como o objeto de satisfazer desejos sexuais.
Inicialmente na escravidão e mesmo depois da “abolição”, as mulheres negras continuam sendo privadas de seus direitos, o que inclui o direito a relacionamentos e cuidados adequados. Com todo esse histórico de desvalorização e violência, a saúde mental das mulheres negras é profundamente afetada, o que as fazem serem vítimas constantes de maior falta de saúde mental, entre mulheres negras e brancas.
É extremamente necessário divulgar informações sobre a realidade dos transtornos mentais na classe feminina, estimulando as ações sobre promoção e prevenção. Afinal, os distúrbios mentais podem, sim, ser prevenidos por meio de atitudes centradas na atenção aos sinais que sugerem tais problemas.
Auxiliar as mulheres que precisam de suporte emocional deve ser prioridade de políticas públicas municipais, para isso alguns aspectos são importantes:
- Estar atento e criar oportunidade para falar com as mulheres que você conheça e que esteja aparentemente precisando do seu apoio emocional;
- Tome bastante cuidado com as palavras que você diz, as expressões que você faça, os seus gestos, em relação a aparência das mulheres;
- Não culpe as mulheres por violências que elas possam estar sofrendo, mas ajude em palavras e ações, passando respeito e deixando-as mais seguras;
- Lembre-se sempre que cada mulher tem a sua individualidade e necessidades específicas em relação ao sofrimento que esteja enfrentando;
- Sempre incentive a busca por apoio profissional, pois somente um especialista da área poderá tratar essa mulher para uma recuperação segura e saudável.
E se você tem dúvidas quanto aos sinais que possam existir para buscar ajuda, deixo alguns deles aqui:
- Alterações no sono; (insônia ou noites mal dormidas)
- Variações hormonais constantes;
- Drásticas alterações no estado de humor, gerando ansiedade e depressão;
- Preocupações excessivas;
Que as mulheres possam ter a oportunidade de cuidarem e serem cuidadas em suas necessidades diárias, e que todos nós, como sociedade, possamos melhorar as nossas ações com implantações de políticas públicas de qualidade para o atendimento da saúde mental das mulheres, em especial, das mulheres itapirenses!
“Preservar sua saúde mental não é egoísmo, é autocuidado!”
Por: Hellen Santos
REFERÊNCIAS:
https://drauziovarella.uol.com.br/mulher/carga-mental-feminina-por-que-as-mulheres-estao-exaustas/
https://hospitalsantamonica.com.br/saude-mental-das-mulheres-o-que-saber-sobre-o-assunto/https://www.scielo.br/j/rbp/a/HRPTctqnnWXCCDRgXtLbvVK/?lang=pt