Família Canivezzi e algumas de suas preciosidades

Família Canivezzi e algumas de suas preciosidades

 Na última semana a Vinícola Ricieri Canivezi deu início à produção de seu mais tradicional vinho tinto seco, originado a partir da uva tipo Bordô. Na manhã de segunda-feira chegou o primeiro carregamento da fruta, contendo cerca de sete toneladas da Bordô e mais uma tonelada de Niagara Branca, destinada à produção de vinho branco seco e de vinho espumante. Na próxima semana, outro carregamento de sete mil quilos deverá chegar à propriedade, localizada no bairro rural do Tanquinho. “As uvas vieram da cidade de Nova Pádua, no Rio Grande do Sul, foram colhidas na sexta-feira e devidamente acondicionadas em um baú refrigerado, a fim de manter a qualidade original da colheita, com o caminhão chegando aqui ontem [segunda-feira]”, explicou o engenheiro agrônomo da vinícola, Carlos Eduardo Antunes.

 

De acordo com ele, deverão ser produzidos cerca de 8 a 9 mil litros de vinho. Em ritmo de trabalho acelerado, já na manhã da última terça-feira os funcionários da vinícola deram início ao processo de moagem da uva. Porém, de acordo com Antunes, somente no meio do ano o vinho proveniente das uvas recém chegadas poderá ser degustado. “A processo de produção demora cerca de seis meses, o primeiro passo agora é a fermentação com as cascas e depois ainda tem diversas fases, provavelmente o vinho estará pronto para o consumo em meados de julho ou agosto”, disse o agrônomo.

 

Antunes explicou ainda que a uva Bordô, conhecida também como York Madeira e Folha de Figo, não é considerada uma uva fina dentro da vinicultura, mas isso não implica em sua qualidade e aroma. “A uva Bordô não é uma ‘vitis vinifera’, sua origem é americana, cujo início do cultivo aconteceu na região de Nova Iorque através de uma colônia portuguesa”, salientou o agrônomo, destacando que por esse motivo o vinho produzido a partir da uva Bordô é muito consumido nos Estados Unidos. “Mas também é um dos preferidos do brasileiro, ao lado dos vinhos feitos com a uva Isabel”, completou Antunes.

 

O agrônomo revelou ainda que os vinhos produzidos a partir da uva Bordô são os campeões de vendas da Vinícola Ricieri Canivezi. “Sem sombra de dúvidas é o vinho mais vendido, e é bastante apreciado porquê quando você abre a garrafa, é possível sentir o aroma de fruta, da flor mesmo”, disse. Atualmente, além do estoque habitual mantido para atender aos clientes, os tanques da vinícola abrigam cerca de 6 mil litros já em fase final do processo de produção.

 

Abrangência

 

De acordo com o engenheiro agrônomo, a repercussão dos vinhos produzidos pela Vinícola Ricieri Canivezi ainda não atinge satisfatoriamente o mercado local, com as vendas para o mercado externo superando em larga escala as vendas em Itapira. Mesmo assim, os produtores só têm a comemorar. “Nossa produção vem praticamente dobrando a cada ano, e com certeza nossos maiores consumidores são os turistas, vendemos muito para paulistanos e campineiros que vêm à cidade a passeio e nos visitam”, destacou Antunes. Segundo ele, o projeto que incentiva o Turismo Rural no município tem surtido ótimos efeitos nos negócios da vinícola. “Muitos turistas que se hospedam na cidade, principalmente no Hotel Fazenda, que já é um roteiro mais rural, acabam vindo aqui na vinícola, degustam os vinhos e compram de caixa fechada”, comemorou.
Perdas

 

Antunes revelou que a Vinícola perdeu cerca de 40% de toda a produção de uvas por conta das chuvas de dezembro. “A uva é uma fruta de clima seco, e devido ao excesso de água, tivemos muitas doenças na plantação, muita uva apodreceu”, disse. Segundo o agrônomo, a colheita realizada em dezembro geralmente acontece nos dias sem chuva, que desta vez se mostraram ausentes. “Sempre aproveitamos para fazer a colheita durante os poucos dias de sol que aparece em dezembro, mas dessa vez não teve como, a chuva prejudicou bastante”, lamentou. Antunes disse que a situação não é diferente da maioria dos pólos produtores de uva e vinho do país. “No sul as perdas chegaram a 50%, e cidades mais próximas, como Jundiaí, Valinhos e Vinhedo também registraram grandes perdas”, frisou. Com as perdas no mercado de uvas, provavelmente haverá um reajuste no preço da garrafa de vinho, que pode variar entre 30% e 40%. O mesmo deve acontecer com a fruta e outros produtos derivados.