Ano de eleição e as especulações em torno dos nomes que deverão aparecer nos santinhos durante a campanha começam a ganhar foco nas rodinhas politiqueiras do município. O Gazeta procurou saber a posição oficial de alguns dos nomes cogitados para concorrer às eleições de outubro, que elegerão, além do presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.

O vereador Toninho Orcini (PPS), líder da bancada oposicionista no Legislativo, afirmou que não é candidato a nada. “Não tenho nenhuma pretensão de me candidatar a deputado nestas eleições, é uma decisão minha e de minha família, já está decidido”, disse. O vereador já foi vice-prefeito entre 1997 e 2000 e disputou duas eleições para deputado estadual, em 1998 e 2002. Atualmente cumpre seu sexto mandato na Câmara Municipal. “Vou continuar trabalhando como representante do povo, como sempre fiz. Aliás, é bom que se destaque que o trabalho do vereador não é somente dentro da Câmara, nas sessões, eu tenho um trabalho diário, só na manhã de hoje [ontem] já atendi a três pessoas na porta da minha casa, isso é trabalhar pelo povo”, discursou Orcini.

 

Já a vereadora Sonia de Fátima Calidone dos Santos, única representante do sexo feminino no Legislativo, que cumpre seu terceiro mandato consecutivo na Casa de Leis, foi categórica em sua declaração ao Gazeta. A advogada, tida como um dos principais nomes no grupo situacionista, afirmou que não tem planos para disputar nenhum cargo neste ano. “Não sou candidata a nada”, disse.

 

Tido como o maior nome político de Itapira e toda a região, o deputado estadual Barros Munhoz afirmou que pretende se candidatar pela última vez. “Será a última eleição que vou disputar, pretendo ser candidato a deputado federal e minha aliança em Itapira será com o povo, não estou preocupado com alianças políticas”, disse Munhoz. O deputado afirmou que, obviamente possui um grupo político e companheiros políticos, mas frisou que acima disso existe o interesse da cidade em ter um deputado. “Seja estadual, seja federal, e isso na realidade pressupõe uma aliança minha com o povo de Itapira, e não uma aliança política”, discursou o presidente da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP).

 

Outro nome de peso no cenário político do município, o secretário de Governo Manoel Marques, também falou com nossa reportagem. Marques afirmou que existem planos relacionados às eleições, mas não confirmou sua possível candidatura. “Ainda não temos nada definido, estamos nos reunindo constantemente e discutindo o assunto, mas ainda não há nada concreto”, afirmou. O presidente do PV (Partido Verde) em Itapira revelou ainda que o diretório estadual tem demonstrado interesse em sua candidatura, mas voltou a frisar que não existe nada confirmado. “Ainda esta semana eu recebi a visita do Cláudio Turtelli, dirigente da executiva estadual do PV, praticamente me convidando a ser candidato a deputado estadual ou federal, mas como ainda temos tempo para decidir a questão, achei por bem aguardar”, finalizou.

 

A fundadora e diretora do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Itapira, Cristina Gomes, também atendeu à nossa reportagem. Cristina afirmou que está em negociação com aliados políticos em São Paulo, e mesmo não tendo ainda nada definido, adiantou os planos do diretório local do PDT (Partido Democrático Trabalhista). “A intenção é formar dois comitês, apoiando a candidatura de dois candidatos a deputado federal e um para deputado estadual”, disse. Os pré-candidatos a deputado federal que deverão ser apoiados por Cristina são: Luiz Antonio Medeiros (ex-deputado federal e atual secretário nacional de Relações do Trabalho no Ministério do Trabalho e Emprego) e, claro, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força. Na esfera estadual o nome apoiado por Cristina é Tadeu Moraes, um dos líderes da Força Sindical. Com isso, ela deixou claro que não haverá um nome local na disputa. “O partido chegou a cogitar a possibilidade e eu ou o Alberto (Mendes) sermos candidatos, mas a princípio preferimos apoiar um candidato forte, para termos o devido apoio em 2012”, explicou, dando dicas de que realmente o PDT local lançará um candidato nas próximas eleições municipais. “Decidi apenas apoiar por enquanto, até porque sou consciente de que ainda não tenho a bagagem e influência necessária para uma empreitada dessas”, finalizou.  

 

O vereador Mino Nicolai (PSB) também fez suspense quanto a uma provável candidatura. Há duas legislaturas na Câmara, o irmão do prefeito Toninho Bellini disse que ainda não há nada definido, mas não descarta a possibilidade de disputar algum cargo. “Ainda não conversamos nada a respeito das eleições, mas tudo depende se Itapira terá ou não um candidato”, afirmou. O vereador disse ainda que sua candidatura também dependerá de outros fatores. “Caso haja um bom apoio, uma coligação forte, com apoio de vários partidos, aí então pode ser que eu me candidate”, explicou, frisando que ainda é cedo para qualquer confirmação. “Vamos continuar conversando e discutindo, e somente em março ou abril poderei dar uma resposta concreta”. 

 

O presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Andrade, também foi categórico ao afirmar que não pretende disputar o pleito. “Não vou participar dessas eleições, o que eu quero é aproveitar meu mandato como vereador e trabalhar pelo bem do povo e pela cidade, isso se os demais políticos deixarem, só quero isso: trabalhar em favor do município”, cutucou.

 

Munhoz: “será a última eleição da minha vida”

Com a afirmação do deputado Barros Munhoz de que concorrerá a um pleito pela última vez, a disputa do mais expressivo político de Itapira nas eleições de 2010 poderá ser o desfecho de uma longa trajetória na vida pública. “Espero ter a maior votação nas próximas eleições, até porque será a última da minha vida, na minha querida Itapira, e espero ser bem votado também na região e em outras cidades de outras regiões com as quais me liguei”, salientou. O deputado discorreu ainda sobre o cenário político regional, e afirmou que a campanha deve englobar uma forte articulação política. “Tem inúmeros nomes sendo cogitados, mas nenhuma cidade do porte de Itapira, e nem do porte de Mogi Mirim e Mogi Guaçu, consegue eleger um deputado estadual ou federal se não houver uma boa articulação regional”, destacou o deputado, que foi eleito com mais de 114 mil votos em 2006.

Munhoz atribuiu a essa ‘falta de articulação’ o fato de a região ter ficado doze anos (de 1994 a 2006) sem um representante a nível estadual e federal. “Estamos em fase de articulação no sentido de lançarmos um estadual e um federal com chances de se elegerem, e para isso precisam de um apoio expressivo, uma vez que hoje os cocientes eleitorais são 60, 70, 80 mil votos, daí a dificuldade de eleger tanto um deputado estadual quanto federal”, explicou o deputado, completando: “uma boa articulação não se faz do dia para a noite, deve ser construída e ainda é cedo para qualquer definição”.

Ele destacou que sua linha de raciocínio pode ser facilmente comprovada, uma vez que não há exemplo na nossa região de uma cidade que elegeu um deputado estadual ou federal. “Então, essa composição vai me obrigar, se eu for estadual, a fazer uma composição com algum federal da região, e se eu for federal, como pretendo ser, que haja um estadual na região com condições de ser eleito; ou mais de um”, complementou. O deputado disse que pretende continuar fazendo um trabalho sério, focado no bem da cidade e da região. “Racionalmente, seriamente, fazendo política de verdade, e não simplesmente para brincadeira ou para prejudicar esse ou aquele”, argumentou Munhoz.